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CinemaGeral

Star Wars vai ganhar nova animação

arte de Ralph Mcarrie

arte de Ralph McQuarrie

A Disney, nova detentora do universo de Star Wars, anunciou uma nova série animada chamada Star Wars Rebels, que será lançada em 2014 no Disney Channel.

A série irá contar a história do que aconteceu entre o Episódio III e o Episódio IV da saga, focando em como os Jedi foram exterminados. O legal é que o visual dessa animação será baseada no trabalho do artista que fez as primeiras ilustrações concept de Star Wars que convenceram a Twentieth Century Fox a investir na trilogia. Sobre isso falam os produtores envolvidos em Star Wars Rebels, no vídeo abaixo: 

[via]


Escritora e redatora. Se hoje gosta tanto de escrever, a culpa é dos quadrinhos.
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Cultura Pop

Como interagir com a sua arte

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O desenhista/fotógrafo Gaikuo-Captain acredita que artista bom é aquele que interage com a sua arte… oh só que coisa linda que ele criou:

(mais…)


Publicitário. Sócio do UoD. Responsável pelo mkt, novos negócios e projetos. É da música e da Guinness.
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Cinema

Wolverine Imortal (novo trailer)

Na adaptação da saga japonesa (desenhada por Frank Miller e escrita por Chris Claremont em 1982), Wolverine viaja ao Japão em busca de ajuda. Humilhado em frente ao seu novo amor, Logan inicia um embate interno contra sua dualidade (homem x fera)… e toma um pau de vários ninjas. Mais legal que o trailer novo são as artes de sustentação da campanha do filme:

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4wolvie

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1wolvie

vi no Uol/Omelete


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Comportamento

Já suspendeu sua descrença hoje?

mike

Aí que eu estava pesquisando sobre o filme Universidade Monstros, que estreia mês que vem, e descubro que alguém fez um vídeo mostrando porque a prequel de Monstros S.A. é totalmente inválida. O vídeo de 50 segundos mostra um diálogo do filme de 2001 em que Mike diz que ele e seu amigão Sullivan se conhecem desde a quarta série. E, pelo que é mostrado no trailer de Universidade Monstros, os dois se conheceram ali mesmo, na faculdade.

Em primeiro lugar, acho um pouco precipitado julgar um filme que nem saiu ainda. As chances de quebrar a cara são altíssimas: não sabemos o que mais Universidade Monstros pode revelar sobre a relação de Mike e Sulley. Trailers nem sempre são confiáveis. Mas, se os produtores da prequel ignoraram esse pequeno detalhe, não deixa de ser um erro de continuidade que vemos aos montes por aí.

A questão de hoje é: em nome do entretenimento, podemos ignorar que o filme seja sobre um universo habitado por monstros “bichos-papões” que frequentam faculdades de susto e trabalham em empresas de susto, mas não podemos ignorar que os protagonistas não se conheceram na faculdade e sim na quarta série?

MU-Mike-and-Sully-banner

***

Sem a suspensão de descrença, seria praticamente impossível se divertir com boas histórias. Suspensão de descrença é quando você decide previamente que vai aceitar como verdadeiras as premissas de uma história, mesmo sabendo que são fantásticas, impossíveis ou contraditórias. Ou seja, você aceita acreditar que aquelas coisas existem ou são possíveis mesmo sabendo que tudo aquilo não existe de verdade.

“Olha, você pode fingir rapidinho que é possível brinquedos terem vida para eu te contar uma história legal?” E aí você aceita, porque quer se divertir ou se emocionar com o que a história sobre brinquedos falantes tem a oferecer.

O negócio é que o limite da suspensão de descrença varia de pessoa para pessoa. Os conhecidos como nitpickers (algo como “catador-de-lêndeas”, alguém que se empenha em buscar e apontar os menores erros, alguém que se apega aos detalhezinhos em vez de ver o todo), parecem ter tolerância bem próxima a zero. É um típico nitpicking implicar com um filme que mostra explosões no espaço porque “som não se propaga no vácuo!!”, enquanto o filme está cheio de raças alienígenas, sabres de luz e coisas que a ciência não consegue explicar.

affe, que livro mais mentiroso!

affe, que livro mais mentiroso!

Um cara escreveu um artigo bem “brabo” criticando os nitpickers que fizeram o vídeo mostrando a (suposta) contradição entre Universidade Monstros e Monstros S.A. Ele diz que o problema em particular desse tipo de “implicância” é acharem que todo filme deve ser tratado como algo que deve ter suas imperfeições reveladas, como se fosse possível apresentar um filme ou o que quer que seja que possa ser considerado por todo e qualquer indíviduo de uma audiência como uma obra impecável.

Isso me lembra a Glória Perez, autora de uma novela com mais furos do que peneira, que, inclusive, acabou na semana passada. Chateada com os nitpickers noveleiros que apontavam as contradições e erros de continuidade (ou de lógica) em sua novela, Glória soltou um comentário pelo qual ela ainda foi zoada posteriormente: “é triste não saber voar com a ficção.”

Nesse ponto eu tenho que concordar com a Glorinha. Mas também devo dizer que a novela dela exigiu demais da minha suspensão de descrença. Quando a vilã resolveu matar uma mulher que descobriu seus planos malignos com uma seringa letal que ela sempre carrega em sua bolsa, sabe como é, para casos de emergência (aham), no elevador de um hotel luxuoso (que convenientemente não tinha câmeras de segurança!), aquilo foi demais até pra mim.

vem voar com a ficção!

deixa eu mostrar como se voa com a ficção

Então acho que sim, é bom saber voar com a ficção. A questão é que, para voar com um filme de monstros ou até mesmo de brinquedos falantes, eu posso planar tranquilamente a 11 mil pés de altitude; enquanto que, para alcançar a novela da Glorinha, eu precisaria voar até a estratosfera e além — e isso eu já não consigo fazer.

Cada pessoa tem um limite na sua suspensão de descrença; se eu já aceitei que, em um universo em que monstros existem, Mike e Sulley são amigos de longa data, que importância tem se eles se conheceram na faculdade, na quarta série ou no berçário? Eu, pessoalmente, prefiro me divertir com a história e pensar no que o filme me mostra sobre mim mesma e sobre o mundo onde vivo.


E você? Até onde você consegue suspender sua descrença?


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marcosfaria70
"So, if a fairy tale begins, "once upon a time there was a beautiful golden
DaniloAlmeida
suspensão de descrença modo: infinito e além.
Cultura Pop

Disney Infinity: Storytelling que se faz brincando

DisneyInfinityTudo é possível no mundo da Disney. Inclusive criarmos nossas próprias histórias. Essa é a ideia contida no jogo que será lançado em agosto para XBox, PS3, Wii e Nintendo 3DS (já disponível para pré-venda), o Disney Infinity.

O jogo funciona como um quarto de criança: lá elas podem fazer o que quiserem, criando o próprio mundo e contando as próprias histórias. Nesse jogo, as regras são simples: você cria as próprias regras.

É um negócio tão, mas tão simples, que chega a ser incrível. A Disney colocou seus mundos, cenários e personagens à disposição das crianças para elas brincarem de inventar histórias. Com isso, a Disney está reafirmando o que já sabíamos ao ver tantas paródias e histórias baseadas em seus personagens: “toma os nossos personagens, pode usar! Eles são seus!”

Storytelling, ou a arte de contar histórias (que o especialista Bruno Scartozzoni conseguiu definir muito bem aqui), é a essência da comunicação humana e permitiu à humanidade compartilhar conhecimento e fazê-lo atravessar os séculos. Nós evoluímos contando histórias e ainda hoje elas são muito importantes para o nosso desenvolvimento. Por isso esse jogo é tão genial. Vejo no Disney Infinity uma forma divertida e construtiva de fortalecer a relação das crianças com essa arte. Quem sabe não temos aí a ferramenta para garantir mais uma geração de bons contadores e contadoras de histórias?

Dá uma olhada na apresentação do jogo, com a palavra da equipe envolvida na produção e entenda um pouquinho porque achei tão legal:


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Cultura Pop

Confesso que Bebi – exposição de Paulo Caruso

1Exposição-Confesso-que-Bebi---Paulo-Caruso-7_-Cred-Rodrigo-Erib

Paulo Caruso,  por que tantos desenhos em garrafas de Black & White?

Porque o rótulo é branco, mais fácil de desenhar!

Simples assim!

E agora, o cartunista vai expor charges produzidas, durante dez anos, nos rótulos de mais de 40 garrafas do whisky Black & White (que consumiu com os amigos no bar). A exposição é a: Confesso que Bebi.

Caruso registrou, garrafa a garrafa, os acontecimentos do mundo e do Brasil nos bate-papos regados a whisky que mantém semanalmente com os amigos, no bar Tiro Liro, na Pompéia.

“Cada garrafa de Black & White que eu abria anotava meu nome e a data. Logo passei a rabiscar piadinhas alusivas às datas. A partir de certo momento a coisa se tornou mais um desafio de criatividade, e as piadas e as garrafas foram se sucedendo”, explica Caruso.

As garrafas estão expostas no Tiro Liro Bar (Rua Cotoxó, 1185, Pompéia) até o dia 22 de julho. Dá tempo de ir beber uminha por lá. 


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Quadrinhos

O Universo de Guardiões da Galáxia

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Uma das coisas mais incríveis do universo Marvel é que suas histórias não acontecem em um universo único: existem diversas realidades alternativas onde cabem uma infinidade de histórias e personagens diferentes. Os Guardiões da Galáxia, um time de heróis intergalácticos que em breve estarão nos cinemas, é uma dessas possibilidades que cabem nos multiversos da Marvel.

Quem não conhece, ou sabe apenas que é um grupo cheio de personagens esquisitos e um guaxinim falante, não vê o que o Guardiões da Galáxia tem a ver com um mundo de super-heróis e mutantes com o qual estamos tão acostumados. Bem, o negócio é que tem muito pouco a ver. E a razão é simples: eles são de outro mundo.

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No nosso mundo

Os Guardiões da Galáxia surgiram em 1969 na edição 18 da revista Marvel Super-Heroes, em uma história escrita por Arnold Drake e Gene Colan. Eles apareceram em inúmeros títulos da Marvel, até ganhar uma revista própria em 1990, que chegou a ter 62 edições, escritas e ilustradas por Jim Valentino.

A Terra-619

Imagine que a Terra que estamos acostumados a ver nos quadrinhos da Marvel se divide e ganha uma realidade alternativa. Até 1980, essa realidade é mais ou menos igual à principal (Terra-616), até que se torna totalmente paralela. Essa é a Terra-619, universo habitado pelos Guardiões da Galáxia. Nesse mundo, todos os heróis da Terra ou foram mortos ou saíram do planeta (por exemplo, alguns mutantes liderados por Magneto conseguiram se estabelecer em Júpiter, para fugir dos Sentinelas que extinguiram a população mutante do planeta).

Como são as coisas

A Terra-619 avançou rapidamente em desenvolvimento tecnológico. Antes de todos os seus fundos serem aplicados na pesquisa biônica, a NASA lançou o Project Starjump, um esforço que lançou um humano em suspensão criogênica para Beta Centauri IV. Esse foi o astronauta Vance Astro, posteriormente membro do Guardiões da Galáxia.

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Guerras Biônicas e Invasão Marciana

Parte da Terra foi devastada por uma guerra de ciborgues na competição pelos escassos recursos do planeta e, como se não bastasse, a Terra-619 ainda é invadida por marcianos, mais ou menos como imaginado por H.G. Wells. Com o planeta devastado, a humanidade escravizada e quase sem super-heróis para defendê-la, a Terra-619 não é o lugar mais atraente do universo para qualquer forma de vida.

Colonização Humana

Por volta do ano 2900, a humanidade começou a se espalhar por outros planetas do Sistema Solar, através de modificações genéticas que tornavam possível a sobrevivência no ambiente hostil de Mercúrio, Júpiter e Plutão (que na época dos quadrinhos ainda era planeta, olha como as coisas mudam). Os humanos chegaram a Alpha Centauri e tiveram um contato amigável com a raça de pele azul habitante do planeta Centauri IV. No ano 3000, é formada a Federação Unida da Terra, formada pela Terra, suas colônias e Centauri IV. É então que, em 3006, a nave de Vance Astro finalmente chega ao sistema Alpha Centauri, mas só um pouquinho atrasada, fazendo a missão do astronauta perder completamente o sentido.

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A Irmandade de Badoon

Tudo parecia ir muito bem até que os Badoon, uma raça alienígena reptiliana, resolveram que queriam dominar e destruir todas as colônias humanas. E foi no esforço de resistir a esses ataques que surgiram os Guardiões da Galáxia, lideradas por Vance Astro, o único sobrevivente do século 20.

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Ao derrotar os Badoon, os Guardiões viram que eles podiam ir além da Terra e se tornar um grupo de atuação interestelar: a versão espacial e viajante-no-tempo dos Vingadores. Com membros de Plutão, Júpiter e Beta Centauri IV, os Guardiões da Galáxia tinham potencial para ganhar o espaço e levar a Marvel para o infinito e além — e foi o que fizeram.


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JorgeFeldmann
Didático!
CinemaCultura Pop

As influências japonesas de Pacific Rim

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Veremos muita influência japonesa no cinema nos próximos meses. Além da adaptação da Disney para uma história da Marvel claramente inspirada no Japão, veremos ainda em julho o novo filme de Guilherme Del Toro, Pacific Rim (no Brasil, Círculo de Fogo) — basta dar uma rápida olhada no trailer para perceber as influências japonesas gritando em cada cena.

Não é de hoje que os americanos se apropriam de ícones da cultura pop japonesa para criar suas próprias produções. Lembram de Power Rangers? Eles simplesmente aproveitavam as armaduras (de lycra) e até cenas gravadas das séries japonesas de tokusatsu para fazer a versão americana dos heróis.

Guilherme Del Toro não é americano, mas também vai se apropriar de vários elementos nesse seu filme, que diz ser uma homenagem à cultura pop japonesa e a várias séries que ele assistia quando era criança. O diretor chegou a declarar que, em sua infância, era fascinado pelas séries japonesas e adorava desenhar monstros e robôs gigantes. Ao realizar Pacific Rim, Del Toro também estará homenageando milhões de fãs, que, como ele, também cresceram sob essas influências.

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Talvez nem todas as referências tenham sido intencionais, mas pelo trailer dá para ver que Pacific Rim traz influências de Evangellion, Gundam Wing, Ultramen, Astro Boy, Space Giant e praticamente todas as séries de tokusatsu, cujos episódios sempre terminavam com o herói convocando seu robô gigante para enfrentar a versão crescida do monstro em meio a uma cidade de papelão e isopor. Além disso, há a clara referência a Godzilla e outras séries e filmes sobre monstros gigantes, do gênero conhecido no Japão como Kaiju.

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Mas por que monstros gigantes fizeram tanto sucesso no Japão?

Gojira (Godzilla) surgiu em 1954, apenas nove anos depois do Japão ter sido bombardeado por uma bomba atômica. Godzilla era uma espécie de dinossauro mutante gerado por radiação nuclear, em uma época em que as pessoas ainda não tinham superado o medo da bomba atômica. Alguém muito oportunista conseguiu transformar esse medo em um filme de terror de sucesso, ao representar a própria bomba atômica como um monstro que destruía o Japão. Depois surgiram outros inúmeros filmes com essa mesma ideia, baseadas em um drama real vivido pelo povo japonês. Por isso foi tão fácil se identificar com o terror mostrado nos filmes Kaiju: porque, para eles, o horror foi real.

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Os monstros gigantes de Pacific Rim não exatamente representam esse contexto, mas com certeza levam o gênero Kaiju a um novo nível. Ver esse culto à cultura pop japonesa em uma mega produção (que como promete Del Toro, será “o maior filme de gigantes já feito”) será empolgante para quem cresceu com essas referências — e para aqueles que torcem para que o horror à bomba atômica que inspirou os filmes do gênero tenha ficado, definitivamente, no passado.


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Aline Valek
@PauloFraga melhor coisa ir assistir a um filme com expectativas baixas: a
PauloFraga
Olha, não sei não. Sou fan de Evangelion e não curti ver a obra dos japa
ComportamentoCultura Pop

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Uma alegoria, mais do que um adereço carnavalesco, é um elemento da narrativa que representa uma ideia por meio de um estereótipo; é um padrão ou tipo de personagem usado nas histórias para transmitir informações ao público. Algumas alegorias foram tão usadas que já se tornaram clichês. É sobre uma dessas alegorias, repetidas com frequência na ficção científica, que vou escrever hoje: o clichê (não tão óbvio) de mulheres dentro de tubos.

Quê? Mulheres em tubos? É, você leu certo.

Existe uma infinidade de ilustrações e capas de ficção científica mostrando mulheres dentro de tubos. E nem precisa se apegar a essas imagens da era pulp. A alegoria da mulher em tubos aparece até mesmo em quadrinhos de super-heróis e filmes de ficção científica, como Prometheus.

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Há um blog, Sci-Fi Women in Tubes, dedicado a coletar essas estranhas imagens e até um álbum no flickr cheio delas, só para você ter uma ideia do quão bizarro é isso. Antes de ver todas essas imagens juntas, eu nunca tinha me dado conta da repetição dessa alegoria.

Os motivos para essas mulheres estarem dentro de tubos são os mais variados: algumas foram criadas dentro deles, outras acordaram lá, outras foram enviadas ao espaço dentro deles, outras foram colocadas lá para serem preservadas através dos tempos, outras foram presas lá dentro por cientistas malvados.

Que tipo de fetiche é esse que os artistas de ficção científica têm por mulheres encapsuladas dentro de vidros, como bebês de proveta? Seria o tesão por algo inalcançável? O voyeurismo de olhar a mulher como se ela estivesse dentro de uma vitrine? A obsessão pela fonte da juventude, ao cultivar mulheres em frascos como legumes em conservas? Ou tem menos a ver com fantasia sexual e mais a ver com a forma negativa que as mulheres são representadas na ficção? Mesmo nesse último caso não deixa de ser uma tara; tanta insistência em estereotipar mulheres só pode ser explicada como uma doentia obsessão, que de inofensiva não tem nada.

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Certo. Primeiro, vamos pensar: de que tipo de narrativa estamos falando?

A Jornada do Herói descrita por Joseph Campbell, uma estrutura que praticamente todas as histórias já narradas pela humanidade têm em comum, é fundada basicamente na ideia de que há um problema (conflito) a ser resolvido. Na ficção científica, isso significa que existe um conflito em um cenário futurista e/ou distópico onde a tecnologia e a ciência terão um papel determinante na solução desse problema (através do herói, claro).

O que essas imagens de mulheres dentro de tubos sugerem é que o problema a ser resolvido pelo herói é salvar aquela mulher (totalmente imobilizada e adormecida, mas sempre insinuante, CLARO) do vilão que a colocou lá sabe-se lá por quê. A essa altura, você já deve ter percebido que essa história não tem nada de nova. É a mesma lenga-lenga da Branca de Neve ou da Bela Adormecida com uma roupagem futurista. Nada mais apropriado para ficção científica trocar o castelo e o dragão que guardam a princesa indefesa por um casulo de vidro, que tem mais a ver com esse tipo de história. Mas prender mulheres em tubos não é um conflito nada futurista. Aliás, é um dos conflitos mais antigos e manjados da história da humanidade.

Mas, se prestarmos atenção, essa alegoria mostra algo que vai um pouquinho além da constatação óbvia “mulher-indefesa-que-precisa-ser-salva-pelo-herói”.

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O merecimento do homem

A ficção científica mostra não só a idealização de um futuro ou de outros planetas, mas a idealização da mulher pelo homem. Não por acaso algumas mulheres na ficção científica são representadas como perfeitas ou inalcançáveis, sendo que algumas delas nem mesmo são mulheres reais (como a replicante Rachael de Blade Runner ou a Major Kusanagi de Ghost in the Shell). As mulheres em tubos trazem um pouco dessa idealização — a redoma de vidro em torno delas sugerem um quê de inalcançável, de difícil acesso; enquanto a aparência delas não deixa dúvidas de que para ser colocada em um tubo, a mulher precisa ser gostosona e sexy (sem contar que quase sempre estão semi-nuas ou completamente peladas).

Há aí dois aspectos que podemos observar: a mulher ideal como a mulher presa, imobilizada; e a mulher como prêmio do herói que toma a iniciativa para tirá-la de seu confinamento.

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Branca de Neve (a versão “mulher em tubo” para crianças) é salva por um príncipe que chega só no final da história e a desperta de sua “morte”, logo em seguida a pedindo em casamento. Até então ela estava dentro de um caixão de vidro, desacordada, mas se apaixona AUTOMATICAMENTE pelo príncipe. Ela sequer o conhecia. Ele nem é o personagem principal. Ainda assim, o simples fato de ter quebrado o feitiço deu ao príncipe o direito de ficar com a mocinha — e a vontade dela de ficar com ele nem mesmo é uma questão.

A alegoria da mulher em tubo mostra uma mulher imobilizada, incapaz de manifestar sua vontade de qualquer forma e, portanto, incapaz de consentir. Ela retoma a fantasia de que, se o cara foi salvá-la, ele simplesmente a merece. Não cabe a mulher decidir ou agir — afinal, ela está presa em uma cápsula!

Quando eu disse lá em cima que essa fantasia apesar de estranha, não tinha nada de inofensiva, eu tinha em mente esta pesquisa feita nos Estados Unidos em 1978, que entrevistou jovens para saber o quanto eles achavam aceitável forçar sexo com uma mulher (a palavra estupro não foi mencionada). 39% dos jovens do sexo masculino acharam que é aceitável em algum nível forçar sexo com uma mulher se ele gastou dinheiro com ela (ele lutou para conquistá-la, ele a merece como prêmio!). 39% dos jovens do sexo masculino também disseram que é aceitável em algum nível forçar sexo com uma mulher se ela está bêbada (ela estaria inerte, imobilizada dentro de um casulo!).

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De onde surgiu essa noção tão errada desses caras? De onde surgiu essa ideia de colocar mulheres dentro de tubos para heróis futuristas as salvarem? Certamente isso não surgiu do nada. A nossa cultura é um retrato do pensamento da sociedade e vice-versa. E é aí que a ficção científica vira história de terror: às vezes ela mostra o quanto é assustador ser mulher em um mundo onde é ensinado aos caras que eles merecem os nossos corpos. Nem que seja preciso usar da violência para consegui-los.


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MetaphoryzerApex
Durante a leitura desse texto, não deu pra evitar sentir a falta que faz a
AlineSobreira
Muito interessante, dá pra desenvolver bastante essa reflexão, porque ima
Daniel Soares
Bom, eu vejo os tais tubos mais pela concepção de "máquina". Geralmente
Aline Valek
Nossa, boa lembrança essa dos homens em tubos de vidro!   Para você ver
Fernando Salvaterra
Muito interessante, nunca parei para pensar nessa alegoria que, agora que v
Quadrinhos

As muitas faces de Thor

faces

Reza a lenda que Loki é o deus da trapaça. Mas quem parece ter muitas caras (pelo menos nos quadrinhos) é seu irmão Thor.

Filho de Odin, herdeiro de Asgard e deus do trovão, Thor foi banido para Midgard (a nossa Terra) pelo próprio pai para aprender uma lição de humildade. Lá, além de se juntar aos Vingadores para derrotar Loki, Thor aprendeu a ser humano — porque, afinal, todo herói precisa de uma identidade secreta. Mesmo um deus.

 

Donald Blake

Quando Thor desceu à Terra, ele “incorporou” no corpo de um estudante de medicina chamado Donald Blake (coincidentemente loirão como o deus nórdico) e perdeu a memória de tudo relacionado à sua divindade. De férias na Noruega, o então doutor Blake encontrou o martelo Mjolnir em uma caverna, disfarçado de bengala. Ao bater com ela contra uma parede, ele se transformou no deus do trovão e recuperou a memória, como descrito na primeira aparição do herói (Journey into Mystery #83).

A partir de então,Thor passou a alternar sua versão divina com sua versão terrestre, ao se transformar em Donald Blake batendo com o martelo no chão. Assim, conseguiu levar uma vida ao lado de seu amor, a enfermeira Jane Foster, ao mesmo tempo em que combatia ameaças malignas extraplanares.

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Sigurd Jarlson

Após enfrentar uma horda de demônios, Thor retorna a Asgard e o feitiço que o transforma em Donald Blake é desfeito (Thor #340). Em seguida, Thor volta à Terra e pede ajuda de Nick Fury e da S.H.I.E.L.D para adotar uma nova identidade. Ele adota o nome de Sigurd Jarlson e passa a usar óculos, como se o fato dele ser um marombado cabeludo não desse na cara de quem ele é, no melhor estilo Super-Homem.

Inclusive, o autor e desenhista Walt Simonson faz referência ao Homem de Aço, quando faz o deus nórdico disfarçado de Sigurd esbarrar com Clark Kent ao sair do escritório da S.H.I.E.L.D. (WTF?)

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Jake Olson

Essa talvez tenha sido a “incorporação” mais problemática de Thor, que precisava de um novo disfarce para se esconder de uns deuses sombrios. Jake Olsen era um traficante de drogas e assaltante que estava (por acaso) perto do lugar onde os Vingadores estavam lutando contra o Destroyer (ele aparece no filme do Thor, vocês lembram?) e acaba morrendo em uma explosão.

Thor viu aquele corpo ali dando bobeira e resolveu usá-lo como sua nova identidade. Só que Loki, que sempre tem que aprontar alguma, foi lá no além requisitar a alma de Jake Olson, ressuscitando o bandido e fazendo ele cometer vários crimes só pra complicar a vida do outro Jake Olson (o Thor).

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Eric Masterson

Nesse caso, não só Thor ficou com a identidade de um mortal para salvar a sua vida; mas esse mortal passou a substituir Thor, ganhando sua forma e seus poderes. O problema é que eles não conseguiram desfazer a troca, e Thor deu a ele seu martelo, dizendo para Masterson continuar a ser o protetor da Terra em seu lugar.

Quando Odin acordou, devolveu os poderes divinos a Thor e forjou um novo martelo para Masterson, que passou a ser o herói Thunderstrike (e ganhou seu próprio gibi e tudo o mais!)

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Update: me lembraram do Bill Raio Beta, que, semelhante ao Eric Masterson, tomou posse do Mjolnir e passou a ter os mesmos poderes de Thor. Com uma diferença: Bill Raio Beta é um alienígena, da raça dos Korbinitas (por isso essa cara esquista), que vê no martelo de Thor uma forma de salvar o seu planeta. Odin decide que os dois devem duelar pela posse de Mjolnir, mas, mesmo ganhando a disputa, Bill Raio Beta não se sente bem em tomar a poderosa arma de Thor. Nisso, Odin cria um novo martelo para o alienígena (assim como fez com Masterson — “tem martelo pra todo mundo, galera!”), que passa a ser o Stormbreaker (e também chegou a ter gibi próprio). Apesar de ser uma nova “versão” de Thor, Bill Raio Beta não é uma das encarnações do deus nórdico (Thor tem bom gosto para escolher suas encarnações, está pensando o quê?).

betathor

Mas cá para nós: nenhuma encarnação de Thor consegue ser melhor do que Chris Hemsworth, que voltaremos a ver nos cinemas em novembro. Thor: The Dark World vem aí!


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