Se até o final do ano passado a contagem regressiva era para o fim do mundo, agora a contagem do momento é para a estreia de Iron Man 3. A proximidade desse evento de grandes dimensões para a história dos quadrinhos nos cinemas pede uma retrospectiva; é o melhor momento para refrescar a memória e assistir novamente os dois primeiros filmes. Bem, é o que dá para fazer para conter a ansiedade.
Além do mais, vendo o filme pela segunda vez, a gente sempre consegue prestar atenção aos detalhes. Primeiro: Iron Man se passa em um mundo em que um fabricante de armas é uma CELEBRIDADE. Sai em capa de revista e tudo o mais, pessoal. E a gente achando que participantes de reality show ficarem famosos por nada é que era absurdo.
Mas Tony não parece se importar muito com essa questão ética. Afinal, você já viu a coleção de carros dele?
É incrível como um personagem tão irresponsável e arrogante tenha nos conquistado. Ele é um playboy que gosta de impressionar pela grandeza. E funcionou.
Mas com estilhaços de bomba no peito, qualquer um mudaria. Com uma genialidade que consegue ser maior que o seu ego, ele consegue construir uma armadura dentro de uma caverna, com restos de sucata, que o salva dos terroristas que o haviam capturado (e de quebra cria um reator que impede que ele morra). Depois dessa experiência sabática, Tony cai na real e percebe o quanto o seu negócio é destrutivo, que é irresponsável ter tanta tecnologia nas mãos e usá-la para construir armas que são usadas por terroristas para espalhar o caos. Nesse momento, seu mundo desaba.
Então ele tem nas mãos a tecnologia do Homem de Ferro, que ele acredita que possa mudar o mundo, e passa a aperfeiçoá-la. E aí tem outro detalhe: nessa fase de testes, ele lida com uma arma com potencial de destruição em massa como se fosse um CARRÃO ESPORTIVO. Seu primeiro voo é uma boa amostra disso. Pra quê ter uma Ferrari se você não pode quebrar o limite de velocidade, né? Para sorte de Tony, ele tem duas babás excelentes: Jarvis e Pepper. Se não, ele estaria perdido.
Ah sim, ele enfrenta um robô gigante, acaba com seu sócio ganancioso, salva o mundo, conquista a mocinha e blá blá blá. É visível que Tony amadurece e começa a se transformar no herói que veremos nos próximos filmes. Mas isso não significa que ele deixou de ser meio babaca. Algumas coisas nunca mudam, né?
Pra finalizar, outro detalhe importante: Tony Stark não resiste aos holofotes. Então ele deixa de ser uma celebridade por ser fabricante de armas e torna-se uma celebridade… por ser a ARMA EM PESSOA! Poucas cenas definem tanto o Homem de Ferro quanto essa última. Egocentrismo define.
Tudo que ele quer é nossa atenção. E o pior é que ele tem.
Uma linda homenagem à cidade de NY e o poder inspirador de um batom vermelho.
O curta, veiculado antes do Detona Ralph, apresenta um estilo minimalista em preto e branco de encher os olhos e conta a história de um jovem solitário e trabalhador em uma NY dos anos 50 que precisa confiar em seu coração e em sua imaginação para mudar seu destino e conquistar a mulher que tanto mexe com seus sentimentos na plataforma do trem… em um dia como outro qualquer.
Com uma técnica linda, misturando computação e animação tradicional, me arrisco a escrever que “Paperman” pode inaugurar uma nova fase e acrescentar mais dimensões na arte das animações. É realmente encantador.
Me fez pensar, também, em alguns encontros que, mesmo inesperados, podem ser determinados e muito determinantes. E que, alguns esforços, unidos com um pouquinho de sorte e uma ajudinha do destino, podem mudar os nossos focos de maneiras boas.
Um dos curtas mais bonitos que já vi.
“Oz, Mágico e Poderoso, de Sam Raimi, imagina as origens do personagem de L. Frank Baum, o Mágico de Oz. Quando Oscar Diggs (James Franco), um inexpressivo mágico de circo de ética duvidosa é afastado da poeirenta Kansas e acaba na vibrante Terra de Oz, ele acha que tirou a sorte grande – fama e fortuna o aguardam – isso até encontrar três feiticeiras, Theodora (Mila Kunis), Evanora (Rachel Weisz) e Glinda (Michelle Williams), que não estão convencidas de que Oz é o grande mágico pelo qual todos estão esperando. Relutantemente envolvido nos problemas épicos que a Terra de Oz e seus habitantes enfrentam, Oscar precisa descobrir quem é bom e quem é mau antes que seja tarde demais. Lançando mão de suas artes mágicas através de ilusão, ingenuidade e até de um pouco de magia, Oscar se transforma não apenas no grande e poderoso Mágico de Oz, mas também em um homem melhor.”
A estreia está marcada para 8 de março (nos EUA) e, pelo o que já pudermos ver, ler e escutar em entrevistas, parece que o filme será realmente lindo.
Tá chegando!
O comercial acima, “ambientado” nos anos 80 dá um bom tom para a animação. Abaixo, alguns layouts antigos do anti-herói:
No filme, Ralph é um vilão de um jogo de videogame que está disposto a provar que também pode ser um mocinho. Seu objetivo é ser tão adorado quanto seu adversário de jogo, Fix-It Felix. No Brasil, só no dia 4 de janeiro.
É, podemos aguardar um ótimo vilão: Ben Kingsley, como o Mandarim. Segundo o próprio, que narra o trailer em off, ele não é um terrorista, e sim um professor, e a primeira lição é que heróis não existem.
Na Comic-Con, ainda ouvimos: “se o Homem de Ferro gritar por misericórdia será silenciado”.
Aperta o botãozinho de HD, tela cheia e aumenta o som.
“As portas do Bar do Pinô estão abertas, à espera dos clientes. O prorietário, ansioso para ver os amigos, aguarda na soleira. Mas algo está errado. Os clientes não aparecem. Ao que tudo indica, monstros invadiram a cidade de Santos. O povo, desesperado, corre nas ruas. Mas Pinô tem um negócio – uma reputação – a manter.”
MONSTROS!, novo livro de Gustavo Duarte, traz criaturas, antes comuns em Tóquio, para a cidade de Santos.
Mas os lagartos gigantes não contavam com a presença de um herói na cidade. A invasão não será tão fácil assim. Um senhor calmo, dono de um bar e cheio de histórias para contar, ainda tem alguns segredos na manga.
Assim como nos outros livros do autor, MONSTROS! não tem falas, não tem textos. Com apenas duas cores, muitas expressões e detalhes excelentes, várias histórias são contadas. O estilo do autor, já rapidamente reconhecido, tem uma profundidade poética que eu adoro.
A mistura de ação com humor, de maneira inteligente e cuidadosa, e a paixão por monstros japoneses deixam claro a inspiração no clássico Spectreman (que aliás ganhou uma dedicatória especial logo no começo do livro). As participações especiais e os pequenos detalhes dão um sabor todo especial para a “leitura”, que é divertidíssima.
Sabe quando você brinca que prefere ler as imagens? Pois é, aqui você tem bastante coisa para “ler”. Recomendo, muito.
O Brasil está realmente cheio de artistas muito bons, produzindo muito. Tem sido uma aventura surpreendente acompanhá-los.
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